Saiba o que é ITP e entenda sua influência no Open Banking

Willian Pereira
March 11, 2022
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A modernização do sistema financeiro no Brasil tem evoluído a passos largos, principalmente depois que o Banco Central iniciou um processo de regulamentação do mercado há 10 anos. Hoje, o Open Banking é o movimento mais recente desta transformação e tem criado diversas oportunidades de negócios para bancos e instituições financeiras. Uma delas é o ITP, apresentada na Fase 3 do regulatório do BACEN.

Este novo meio insere no Open Banking não apenas bancos e fintechs, mas também empresas que lidam com transações de pagamento, como aplicativos de compras e varejo. Neste artigo, além de entender o que é o ITP, você vai ver como ele funciona na prática.

O que é ITP?

A sigla ITP corresponde a Iniciador de Transação de Pagamento, mas também pode ser chamado de Pisp, sigla em ingles de Payment Initiation Service Provider (Provedor de Serviço de Iniciação de Pagamento, quando traduzido para o português). Na prática, é um novo meio de transação, que possibilita instituições de pagamento (IP), credenciadoras, gateways de pagamento, e-commerces, marketplaces e apps de delivery a executarem operações financeiras em nome do cliente a partir do seu consentimento.

Ou seja, uma vez reconhecida e autorizada pelo Banco Central como ITP, uma empresa de pagamentos passa a ter autorização (por meio de consentimento) do cliente para iniciar uma transação em seu nome.

Vale destacar que a função do ITP é somente estabelecer a conexão entre o pagador (no caso o usuário) e a instituição provedora da conta do cliente. O dinheiro não passa pelo iniciador de pagamentos no caminho entre a conta pagadora e a conta recebedora.

Exemplos práticos de um ITP

Digamos que o seu aplicativo de mensagem possua autorização do Banco Central para operar como ITP (como é o caso do WhatsApp Pay, por exemplo). Você, então, quer fazer um empréstimo a um amigo. Após configurar, previamente, um cartão de débito na plataforma para utilizar o serviço de pagamentos, você consegue selecionar o valor desejado pela própria tela do app e autoriza que o aplicativo de mensagens faça a transação por você.

Outro exemplo mais rotineiro é o aplicativo de delivery. Ao invés de cadastrar o seu cartão de crédito na plataforma, o próprio app poderia iniciar uma transação de pagamento em nome do cliente no valor do pedido. Essa instrução irá fazer com que o Banco detentor da conta do cliente do app de delivery transfira o dinheiro para a conta do restaurante.

Trata-se de um meio de pagamento que não depende de nenhum relacionamento com bancos e outras instituições financeiras (como maquininhas, por exemplo).

Vale sempre ressaltar que essas transações só acontecem com o consentimento do usuário. Sem autorização, não há movimentação.

A importância do ITP para o Pix

De acordo com informações do Banco Central, o ano de 2021 fechou com mais de 120 milhões de usuários do Pix. Em dezembro, época de crescimento sazonal para o comércio, foram registradas mais de R$716 milhões em transações por esse meio. No entanto, apenas 17% desse valor envolveu o pagamento de clientes para empresas.

Isso significa que, por mais que o Pix tenha se popularizado entre os brasileiros, pagar a conta com ele ainda não é tão comum quanto parece. Um provável motivo para isso é o número de etapas na hora de fazer a transações:

1) o usuário recebe a chave do recebedor ou escaneia o QR Code;

2) o usuário abre o app do seu banco;

3) clica na opção do Pix e adiciona as informações do recebedor;

4) confirma as informações e conclui a transação com a senha ou biometria;

5) feito isso, o usuário volta para a tela de pagamento do app para conferir se o pagamento foi confirmado.

Com o app operando como ITP, os passos são menores:

1) o usuário seleciona o Pix como forma de pagamento;

2) é direcionado para a tela de pagamento, na qual confere as informações e confirma com senha ou biometria;

3) a confirmação é realizada na própria tela do app.

Assim como o Pix, o ITP representa mais um passo importante do Open Banking, que visa, entre outras metas, reduzir barreiras burocráticas no campo financeiro, oferecer controle total dos consumidores sobre seus dados compartilhados, definir processos mais rápidos e custos operacionais reduzidos às instituições.

Para o usuário, o processo de compra passa a ser mais ágil, simplificado e seguro quando feito via ITP. Enquanto que para as empresasos principais benefícios são o aumento da taxa de conversão de vendas e a diminuição do abandono de carrinho, já que o cliente não sairá do site ou app da loja para concluir a compra.

ITP e Open Banking: mais um passo rumo à inovação

A possibilidade de se tornar um iniciador de transação de pagamento representa uma ótima oportunidade para várias empresas, pois facilita o relacionamento direto com o cliente, sem a necessidade de intermediários, reduzindo custos e maximizando lucros.

De acordo com a Resolução BCB nº 80, as IPs largam na frente para operar como iniciadores de transações de pagamento, isso porque podem atuar em mais de uma modalidade de serviço, assim como com outras atividades ligadas a pagamentos ou com os serviços prestados a seus clientes.

Mas não são apenas instituições de pagamento ou players do setor financeiro que podem se tornar um ITP. Os chamados “iniciadores puros”, ou seja, empresas que não são necessariamente do ramo das finanças, mas que efetuam transações de pagamento, também podem aderir a este modelo. É o caso dos apps de delivery, lojas etc.

Trata-se de um grande incentivo para esses iniciadores puros, afinal, por se tratar de um movimento do Open Banking, todas as instituições financeiras e instituições de pagamentos reguladas que já oferecem conta corrente ou de pagamento terão de permitir que um ITP tenha acesso aos seus domínios.

Ou seja, se um cliente do banco X der o consentimento para o ITP iniciar a transação via app de corrida, o aplicativo em questão terá autorização para iniciar uma transferência de fundos do banco X.

Esse movimento de inovação relacionada a novos meios de pagamento é global. De acordo com a Gartner Financial Services Technology Survey de 2021, 22% dos entrevistados que atuam em bancos comerciais afirmaram ter planos de investir ou adotar uma nova tecnologia de pagamentos móveis.

Além disso, a pesquisa também mostrou que 59% dos entrevistados de bancos corporativos disseram ter planos de atualizar ou substituir sua infraestrutura de pagamentos - e outros 21% disseram ter planos de adotar ou investir em uma nova infraestrutura de pagamentos.

O ITP é mais um elo das mudanças que vêm descentralizando e desintermedializando o sistema financeiro. É um fortalecimento do próprio sistema, já que fomenta a competitividade dos players e uma postura customer centric (no qual o cliente é o centro das atenções). O resultado disso será, definitivamente, mais inovação e mais inclusão financeira.

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