O que é governança multigateway de APIs

Oscar Fujiwara
Author
August 26, 2025
10
min de leitura

Em um cenário corporativo cada vez mais híbrido, no qual empresas contam com stacks tecnológicas diversas, se valendo de um amplo leque de fornecedores para executar tarefas cada vez mais específicas, a adoção de múltiplos API gateways vem se tornando prática comum. Nesse novo contexto, uma estratégia de governança bem estruturada é imprescindível, garantindo o controle centralizado dessas APIs e possibilitando sua utilização de forma eficiente.

Neste bate-papo, o Rafael Rocha, Head de Solutions da Sensedia, explica todos os detalhes desse novo cenário e mostra como o seu negócio pode se preparar para implementar as melhores práticas da governança multigateway de APIs.

Para conferir a conversa no formato de áudio, é só dar o play!

Por que a utilização de múltiplos API gateways vem se tornando prática comum em grandes empresas? 

Mais do que uma tendência, isso já é uma realidade. Isso ocorre, por exemplo, quando uma empresa adota duas nuvens públicas para fazer parte da sua stack de tecnologia, como AWS e Oracle. Esses fornecedores têm uma gama gigantesca de serviços de nuvem, como storage, processamento, capacidade de execução, gestão de contêineres, de aplicações.

O que ocorre, primeiramente, é que esses provedores oferecem seus API gateways. Ou seja, quando você desenha uma aplicação e a implementa dentro da AWS, por exemplo, a maneira padrão de expor essa funcionalidade é via API gateway. Os gateways dos provedores de cloud vêm sendo bastante adotados. 

Além disso, outros fornecedores de software também embarcam o API gateway em suas soluções. Nesse caso, são soluções mais especializadas, como CRMs e ERPs. Então, tendo em mente essa evolução dos fornecedores de sistemas, de cloud, de sistemas especializados, temos visto que as estratégias das empresas que utilizam APIs não se baseiam mais em apenas um gateway. 

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Como a utilização de múltiplos API gateways pode ser vantajosa?

A governança é um dos pontos principais. Vamos supor que você tenha um conjunto de APIs no gateway da AWS, outro no gateway da Oracle e outro no gateway de um ERP. Governança é ter conhecimento das APIs que existem, da qualidade delas, dos back-ends, dos serviços que elas expõem, dos dados e métricas. Com múltiplos gateways, fica difícil controlar e visualizar tudo isso. Falhas de governança geram falta de observabilidade para a detecção de problemas, replicação, falta de reúso. Por isso, é essencial uma estratégia centralizada de governança de APIs.

E governança não se restringe a catálogo - há regras que precisam ser aplicadas. Por exemplo, quando você cria e padroniza uma API pública, ela precisa de um mecanismo de segurança. Se a governança não está automatizada, o risco de um desenvolvedor expor essa API com algum tipo de brecha e, acidentalmente, disponibilizar todos os dados da sua empresa para o mundo é muito alto. Ou seja, a governança também está relacionada às boas práticas de desenvolvimento. 

A governança multigateway de APIs bem executada previne problemas de segurança, promove o reúso, trazendo melhoria de custo e o time-to-market. Seguir um processo de segurança e compliance de forma manual pode comprometer o lead time de entrega dessa API em produção. Automatizando o processo, você terá um lead time melhor, sendo mais ágil e entregando com mais rapidez. 

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Contar com um Portal de Desenvolvedores multigateway também pode ser um grande diferencial?

Dentro dessa estratégia, a documentação também é fundamental. Não basta apenas contar com um catálogo. É aí que entra o portal de APIs, que também é fundamental nas estratégias internas das empresas e se conecta diretamente com a Engenharia de Plataforma, através de times de plataforma que ajudam os times de produto. 

Por exemplo, um time de plataforma que gera um portal de APIs com a documentação exata, com a forma correta de consumir as APIs. Isso facilita a visualização dessas APIs pelo time de produto, que consegue identificar com mais facilidade se aquelas APIs que estão no catálogo servem para o contexto de determinado produto. Isso está empoderando os times de produto a reusar e criar integrações mais rapidamente.

Outro cenário importante dentro do contexto multigateway é a produtização das APIs, que ocorre quando a empresa têm um conjunto de APIs e quer disponibilizá-las a parceiros, criando uma jornada completa para que consumam essas APIs, na qual podem se registrar, consultar o produto, conferir sua precificação, até a formalização do contrato e integração de fato.

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