GazzConecta - Interoperabilidade entre países: quais os benefícios para consumidores e empresas de diferentes regiões?

January 19, 2024
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Fonte: GazzConecta

Por Alexandre Gomes, Diretor Executivo na Sensedia

Os “negócios abertos”, pautados por maior flexibilidade e transparência, são uma tendência em diversos países e abriram portas para que os mais variados negócios se moldem às demandas futuras. Parte importante deste cenários são as APIs, que atuam nas definições e protocolos para a criação de aplicações de software, permitindo a conexão de soluções e serviços para o Open Business.

Popularizado rapidamente no Brasil, um dos mercados-chave de Open Finance no mundo, esse tipo de ecossistema está em ascensão não somente em território brasileiro. De acordo com o Open Finance Index, da associação global Open Banking Excellence, o país atingiu 5 milhões de contas conectadas menos de um ano após o primeiro deadline de implantação. Como efeito de comparação, o Reino Unido levou cinco anos para chegar a este número.

Já nos Estados Unidos, há 42 milhões de contas conectadas. A região foi pioneira no uso de APIs, tendo a indústria local migrado para as APIs antes ainda da existência de regulações. Por fim, na América Latina, o relatório destaca o México, que está construindo seu mercado em cima de sua lei de fintechs. Colômbia, Chile e Argentina ainda estão no início da jornada.

Mas e agora? Aonde a evolução Open vai chegar?

Ainda há muito campo a ser explorado neste ecossistema. Um deles é a interoperabilidade, que é a capacidade de diferentes sistemas e organizações trabalharem em conjunto para compartilharem informações de maneira eficiente. Deste modo, uma abordagem baseada em APIs é a chave para facilitar a comunicação entre diversos sistemas.

Dentro deste conceito, o Brasil está no nível 1.0 de interoperabilidade, enquanto outras regiões ainda estão pavimentando essa estrada de troca de dados. Atualmente, no Brasil, empresas de um mesmo setor de atividade podem compartilhar dados, usando um mesmo padrão de integração. Tudo isso ocorre não somente por vias tecnológicas, mas também por meio de uma regulação própria, baseada em consentimento. Um dos exemplos práticos é o Open Banking, que conta com regras criadas pelo Banco Central e padrões de integração tecnológica baseados em APIs.

Uma vez concluída a jornada 1.0, o próximo passo será a interoperabilidade 2.0, que prevê o compartilhamento de dados de crédito e outros tipos de informações de um consumidor entre empresas de setores diferentes. Por exemplo, informações sobre hábitos de pagamento de uma conta são o suficiente para um banco calcular a capacidade de crédito do consumidor, permitindo fazer cálculos de risco e compartilhando este perfil com empresas de outros setores, tal como telecom.

Para alcançar este patamar, será necessário criar um ecossistema totalmente novo e uma regulação entre dois ou mais setores. Do ponto de vista tecnológico, já há avanços, uma vez que as APIs já estão disponíveis para atuar na arquitetura de compartilhamento de informações. Porém, para que isso ocorra, é necessário que todos os setores envolvidos já estejam em uma fase madura de interoperabilidade 1.0 para garantir um intercâmbio de dados seguro e regulamentado.

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