Shadow AI nas empresas: riscos reais e como governar antes que doa
A democratização da inteligência artificial trouxe ganhos expressivos de produtividade. Porém, também abriu espaço para um fenômeno silencioso: a Shadow AI (IA das sombras). Ela ocorre quando colaboradores utilizam ferramentas de IA fora do conhecimento ou do controle da organização, sobretudo da equipe de segurança. O resultado pode ser exposição a vazamentos de dados, falhas de conformidade, danos à reputação e outros impactos relevantes.
CISOs, CTOs e líderes de produto enfrentam o desafio de provar valor com IA responsável, ao mesmo tempo em que o uso de Shadow AI se dissemina pelas organizações.
Este artigo discute o impacto desse fenômeno, a importância da governança de IA e alternativas para minimizar riscos, além de trazer aspectos da governança da IA que são relevantes neste contexto.
Por que lidar com Shadow AI importa
A quantidade de ferramentas de IA não para de crescer. O próprio navegador que usamos no dia a dia já integra recursos de IA capazes de executar tarefas de forma semi-autônoma. Lançamentos recentes de soluções como OpenAI Atlas e Perplexity Comet podem ser úteis e têm cada vez mais usuários, mas implicam desafios à governança da IA.
Em 2024, um estudo da National Cybersecurity Alliance em parceria com a CybSafe revelou que 38% dos funcionários admitiram compartilhar informações sensíveis com ferramentas de IA sem conhecimento do empregador - percentual que chega a 46% na Geração Z e 43% entre Millennials.
Vazamentos recentes reforçam o custo de vazamento de dados fora de controle. Em 2024, a AT&T informou que registros de chamadas e SMS de “quase todos” os seus clientes foram expostos - um lembrete de que telemetria e metadados são valiosos e sensíveis.
Além do impacto operacional, a Shadow AI eleva o custo das violações. Sem controles de segurança e privacidade adequados e auditáveis, os custos com eventuais multas podem ser ainda maiores se a empresa não conseguir demonstrar a implementação de boas práticas de proteção em atendimento às legislações como LGPD e GDPR. Ou seja, governança fraca pode custar bem caro.
Então, como reduzir o risco sem matar a inovação?
À medida que o desafio cresce, é essencial implementar políticas, processos e ferramentas. Abaixo, listamos três frentes práticas.
1) Catálogo de ferramentas aprovadas e políticas claras
Defina uma política simples de uso de IA (o que pode/não pode, dados permitidos/proibidos) e publique um catálogo de ferramentas aprovadas, com propósitos, escopos de dados, áreas responsáveis e contatos. Facilite o caminho oficial, para que as pessoas não busquem atalhos.
2) Monitoramento contínuo do uso de IA
- Descoberta: faça um inventário de chamadas a serviços de IA (Firewall e AI Gateway/proxy ajudam).
- Observabilidade: observe prompts, origens de dados e destinos.
- Alertas: dispare notificações para upload de PII, segredos ou volumes fora de política.
- Auditorias periódicas: revise integrações, chaves e permissões.
Indicadores úteis
- Porcentagem de usuários ativos em ferramentas aprovadas vs. não aprovadas.
- Incidentes evitados por DLP (bloqueios de PII/segredos).
- Tempo de aprovação de novas integrações de IA.
- Cobertura de treinamento (e checagens rápidas de retenção).
3) Treinamento contínuo
Promova capacitação recorrente, com conteúdos curtos e práticos. A pesquisa The Annual Cybersecurity Attitudes and Behaviors Report 2024–2025 indica que a maioria dos profissionais avaliados ainda não recebeu formação adequada para lidar com os riscos da IA. Portanto, é importante promover treinamento contínuo sobre os riscos de segurança no uso de IA.
O que não fazer
- Proibir tudo: bloqueios totais empurram o uso para fora do radar, o que aumenta a Shadow AI. Prefira implantar mecanismos de descoberta e monitoramento para identificar usos não autorizados e tratar a causa (por meio de treinamento, contratação ou desenvolvimento de alternativas internas).
- Guardar logs às escuras: sem observabilidade de prompts e dados, não há como auditar nem responder a incidentes. Garanta que todo uso de IA seja auditável, com logs que suportem análise preventiva e investigação.
- Treinar uma vez e “dar por feito”: o cenário muda rápido. Programa contínuo é obrigatório.
Achei um uso não autorizado, o que fazer?
É praticamente certo que, em qualquer organização, as pessoas estão usando várias IAs - algumas delas sem autorização. Ao detectar Shadow AI, quatro caminhos são possíveis, cada um com seu trade-off:
1. Construir agentes de IA internamente, substituindo o uso de Shadow AI se o valor justificar.
Prós: controle e personalização; aderência a políticas e auditorias.
Contras: maior custo de desenvolvimento e de manutenção.
2. Contratar serviços SaaS em substituição ao Shadow AI.
Prós: implantação mais rápida; SLA, NDA, DPA e demais cláusulas que fortalecem a governança.
Contras: risco residual de terceiros e dependência da cadeia de fornecedores.
3. Autorizar/contratar a IA identificada quando houver valor comprovado.
Se os benefícios superarem alternativas internas, formalize a contratação e coloque sob governança corporativa.
4. Bloquear e proibir o uso quando o risco for elevado.
Para serviços sem controles adequados, bloqueie o acesso e comunique claramente o bloqueio dando publicidade.
Papel do AI Gateway
Chamemos de AI Gateway a classe de soluções que inclui Agentic Gateway, LLM Gateway e afins. Esses componentes centralizam o tráfego de IA, oferecendo, na perspectiva da segurança:
- Telemetria de prompts, logs de auditoria, controle de acesso e guardrails.
- Padronização de chaves e endpoints de múltiplos provedores sob um plano único.
- Observabilidade e políticas corporativas aplicáveis a agentes internos e a serviços SaaS.
Vale lembrar: Shadow AI geralmente não passa pelo gateway, justamente por estar fora da governança. Ainda assim, mesmo agentes internos podem incluir ferramentas, bibliotecas ou modelos que escaparam à revisão de segurança. Daí a importância de:
- Conectar o AI/Agentic Gateway ao SIEM.
- Gerar alertas para violações de PII (LGPD/GDPR) e outras políticas.
- Estabelecer auditorias periódicas e ciclos de melhoria conduzidos pela equipe de segurança.
Conteúdo relacionado: Por que sua empresa precisa de um AI Gateway?
Boas práticas para o uso de AI Gateway
- Exigir passagem obrigatória de todo tráfego de IA pelo gateway.
- Aplicar mínimo privilégio.
- Configurar DLP, content safety, rate limiting, outros guardrails de segurança via AI Gateway.
- Manter logs imutáveis e métricas (prompts bloqueados, volume de uso/token, custos por agente).
Conclusão
Na prática, a Shadow AI é um déficit de governança que cresce na mesma proporção da pressão por produtividade e inovação. Quando TI e Segurança oferecem caminhos fáceis e seguros, com monitoramento, educação e patrocínio executivo, a inovação floresce dentro das regras.
Tratar a governança de IA como capacidade estratégica, e não apenas como compliance, é essencial para elevar a produtividade evitando o custo dos vazamentos.
Clique aqui e saiba como a Sensedia pode ajudar a sua empresa na adoção da IA!
Conteúdos relacionados
Confira os conteúdos produzidos pela nossa equipe
Sua história de sucesso começa aqui
Conte com nosso apoio para levar as melhores integrações para o seu negócio, com soluções e equipes profissionais que são referência no mercado.

.png)



